15 Dezembro 2007
Acabo de descobrir que fiquei em segundo lugar na categoria de Media num concurso que me tinha passado quase ao lado neste tempo de afastamento da blogosfera (sabia que o concurso existia, mas nem me tinha apercebido de que o Engrenagem estava nomeado para o que quer que fosse).
O primeiro lugar foi para o Ponto Media, do António Granado (que já deve estar habituado a somar este tipo de prémios).
Agradeço a distinção (com a qual, sem haver aqui resquícios de falsa modéstia, estou surpreendido: os últimos meses não foram de grande actividade por estes lados).
De resto, continuo o meu retiro da escrita na blogosfera. Até breve.
6 Dezembro 2007
Estou a ponderar o encerramento do Engrenagem. Às razões que tenho para o fechar contrapõe-se, porém, o facto de, após duas semanas sem actualizações, continuar a ter visitas, comentários nos posts e até a receber e-mails por causa deste blogue.
Quebro o silêncio porque os leitores que continuam a visitar merecem que o faça. Mas estou em reflexão.
19 Novembro 2007
O novo site do Público está online.
Entre as novidades estão a introdução de uma secção de vídeos e um novo layout, com o menu de navegação horizontal e no topo da página.
17 Novembro 2007
A BBC avançou com uma redacção multimédia integrada, que trabalhará para o site, televisão e rádio.
O chefe de redacção (head of newsroom), Peter Horrocks, deixa entrever algumas das lógicas por trás da decisão:
This new structure will help us to be more efficient and so save money to invest in improvements to BBC News. We will be putting more into on-demand news – for instance developing content for new platforms such as mobile and IPTV; increasing personalisation and providing purpose-made audio/video for the web.
A necessidade de publicar na Web (muito mais do que para telemóveis ou outros suportes ainda minoritários no que diz respeito ao acesso à informação) trouxe uma necessidade de reorganizar redacções que tem sido um dos grandes desafios de quem gere órgãos de comunicação.
O problema é que, à altura das primeiras tentativas, ninguém parecia saber como fazer a necessária reorganização. E, se é certo que já foi ultrapassada a fase de puro experimentalismo, também é facto que ainda não é absolutamente claro qual a opção mais eficaz: manter redacções separadas, avançar para a integração completa ou quedar-se por uma qualquer solução intermédia.
A integração, sublinha Horrocks, traz riscos:
The downside could be a narrowing of the range of stories we cover, with less coverage that is distinctive and tailored for each medium
Convém lembrar que há uma grande divergência de estruturas entre os órgãos de diferentes meios. Nos jornais, dada a maior similitude de práticas jornalísticas na produção para o papel e para a Web, a integração poderá ser mais facilmente alcançada (o que não quer dizer que seja fácil).
No caso das televisões, será interessante, por exemplo, ver os resultados da recente opção da SIC.
Juntam-se a estas diferenças as especificidades nacionais e as lógicas dos grupos de comunicação que integram vários órgãos - factores a impedir que se encontrem soluções “pronto-a-usar” para o desafio do online.
O principal obstáculo, contudo, parece ser a própria evolução do uso tecnologia: ainda os jornalistas se estavam a tentar adaptar à escrita para a Web, quando surge a moda do multmédia; quando muitos sites ainda não embarcaram na era dos vídeos e animações interactivas, está a Web social, com as suas comunidades online e audiências (muito) participativas, a colocar novos problemas.
De qualquer forma, creio que ainda antes do final da década a maior parte das redacções já tenha sido re-estruturada e terão sido encontrados por alguns órgãos os melhores modelos de funcionamento. Muitas redacções (a do NY Times e a do Guardian, por exemplo) já estão numa fase de maturação neste processo de transição. As experiências mais sólidas e bem sucedidas acabarão por ser replicadas à escala global.
Então, a não ser que que surja algo com um impacto nos hábitos de acesso à informação semelhante ao resultante da massificação do acesso à Internet, haverá algum descanso da azáfama organizativa que tem agitado o meio na última meia dúzia de anos.
16 Novembro 2007
Se esta for uma medida que de facto avance - e isso implicará uma mudança significativa e, provavelmente, nada fácil nos hábitos dos jornalistas -, trata-se de um passo muito significativo:
Os jornalistas da SIC vão passar a redigir primeiro as notícias para o suporte online, para depois fazerem as peças que passam na televisão. Os profissionais da estação de Carnaxide deixam assim de estar ligados a um só suporte, passando a trabalhar simultaneamente para várias plataformas, sendo que SIC, SIC Notícias e SIC Online passam a usufruir do contributo de todos os jornalistas da redacção.
15 Novembro 2007
O Sapo Codebits terminou esta noite. Comecemos pelo fim.
O evento fechou com um concerto dos Wraygunn para o qual o adjectivo ideal é intimista.
Por um lado, porque as cerca de 30 pessoas que assistiam estavam quase em cima do palco. Por outro, porque Paulo Furtado resolve (depois de uma saída de palco pelo meio da assistência) ir buscar um Mac portátil e encenar uma cópula, que inclui até uns “gemidos” da máquina, captados pelo microfone do líder da banda.
Num evento destinado a entusiastas da tecnologia (e onde abundavam os utilizadores de Macs), o final dificilmente poderia ter sido mais apropriado.
Horas antes tinha decorrido a apresentação dos quase 50 projectos que foram a concurso (cada participante tinha apenas 90 segundos para mostrar a sua ideia).
Houve, sem dúvida, ideias bem-humoradas, como o computador controlado remotamente que premia o botão da máquina de café no bar das instalações, ou o Pong que era jogado à cabeçada graças à detecção de movimentos através de uma câmara.
No entanto, e apesar de algumas ideias me terem parecido bem concebidas (tanto quanto é possível perceber em minuto e meio), imagino que tenham sido poucos os participantes a despertar interesse suficiente para que os responsáveis do Sapo possam querer integrar ou apoiar a ideia.
Globalmente, o evento foi bem organizado e tem o mérito de ter conseguido fomentar o entusiasmo e impôr o espírito informal e de brainstorming a que se tinha proposto. Escrevo mais sobre o assunto no Público deste sábado (mas quem estiver à espera de um resumo do evento ficará desiludido).
Uma breve nota pessoal: para alguma supresa minha, travei contacto com vários desconhecidos que afirmaram ler este blogue. É lisonjeiro. Obrigado aos leitores.
14 Novembro 2007
A CNN resolveu avançar com uma versão no Second Life do seu projecto de citizen journalism I-Report.
We’re building CNN I-Report inside the virtual world of Second Life so the citizens of Second Life can share their stories of the world with one another, and with us.
Já muitos se estão a interrogar se o Second Life não estará a definhar (ou, pelo menos, a estagnar). Junte-se a isto o facto de os projectos de “jornalismo dos cidadãos” falharem com frequência e temos aqui os ingredientes para um pequeno fracasso.
Precisamente numa crítica ao I-Report, o sempre hilariante Jon Stewart sintetizou já uma das principais razões para que os projectos de jornalismo dos cidadãos não consigam vingar: nem todos querem ser jornalistas e estes sites raramente oferecem incentivos suficientes para que as pessoas abdiquem do seu tempo e invistam o esforço necessário para produzir informação de qualidade.
13 Novembro 2007
O acesso aos conteúdos do site do Wall Street Journal vai deixar de ser pago:
Rupert Murdoch today confirmed that he intends to lift the paywall on the Wall Street Journal’s website, substituting the site’s subscription revenue for a larger audience that will drive more advertising to the financial news site.
Trata-se de uma opção relevante, sobretudo porque o WSJ é um jornal com conteúdos de excelência e destinado a um público com poder económico para pagar o acesso.
Parece estar a desenhar-se uma tendência.
13 Novembro 2007
Está a ser um dia comprido. Depois de ter estado de manhã no Rádio Clube Português a sugerir sites, falar de comércio electrónico e de Web social, a tarde arrancou com o Sapo Codebits.
Não vou montar acampamento no evento, mas estarei cá durante boa parte dos próximos dias.
Por ora, a organização está de parabéns (apesar do tipicamente português ligeiro atraso na cerimónia de abertura): o espaço é muito bom, o ambiente parece ser o pretendido - informal e de fomento de ideias - e a rede sem fios para 500 pessoas está a funcionar sem problemas funcionou sem problemas ou lentidão no meu caso (mas está a suscitar queixas).
Pelo que já é possível observar, será interessante ver os projectos que vão surgir no concurso que começa amanhã.